A ideia de unir os oceanos Pacífico e Atlântico no Continente Americano é antiga. Nos séculos XVI e XVII, a única comunicação possível era realizada pelo Estreito de Magalhães, pelo Canal de Beagle, situados no extremo sul do Continente e ambos considerados bastante perigosos para a navegação marítima. Até meados do século XIX, os transportes de carga do Chile e Argentina eram feitos via uso de animais ou de barcos, o que demandava um prazo em torno de 40 dias de viagem e nem se cogitava ligar o Brasil a esses países em termos de comércio. Em 1855, foi inaugurado um trem transoceânico no ístmo do Panamá, melhorando o transporte de carga internacional, concentrando-o entre a América Central e a América do Norte.

Em janeiro de 1874 foi promulgada uma lei para a criação do Trem Transandino através de iniciativa privada. O propósito era impulsionar o comércio Argentina–Chile. Vários imprevistos ocorreram e em 1810, após 38 anos de obra, foi concluído o túnel ferroviário do Cristo Redentor. O trem possuía bitola métrica e tração a vapor, funcionou desde 1927 ligando Blanco (Chile) a Las Cuevas ( Argentina); em 1953, seu percurso chegou até Os Andes e 25 anos depois, em 1978, seu serviço foi interrompido para passageiros devido ao conflito Argentino–Chileno pela soberania do Canal de Beagle e em 1984 também o transporte de cargas deixou de ocorrer por problemas de desmoronamentos na Cordilheira.

Na década de 1980, como alternativa de ligação, foi inaugurado o túnel veicular, paralelo ao túnel original do Trem Transandino, pelo caminho caracoles cordilherano, sofrendo baixa de capacidade de circulação em temporadas de nevascas mais fortes e até mesmo interrupção, o que exige dos veículos automotores e cargas um trajeto mais longo via sul da Argentina e sul do Chile , demandando mais tempo e custo.

O projeto do Corredor Bioceânico Aconcágua surge para suprir esta defasagem de ligação Argentina–Chile e países do Mercosul, incluindo obviamente o Brasil e, portanto, a integração do comércio Atlântico–Pacífico, com o intuito de dar maior fluidez ao tráfego.

A Corporación América adquire os direitos do Projeto da Tecnicagua e apresenta seu projeto integral com a construção de um Túnel de Baixa Altura: o Corredor Bioceânico Aconcágua, projeto binacional Chile–Argentina, com impacto regional (Brasil–Uruguai–Paraguai–Peru) e Global (Bacia do Pacífico– Atlântico) – a iniciativa de criação de um cruzamento ferroviário na Cordilheira dos Andes para unir as localidades de Luján de Cuyo na Província argentina de Mendoza e Los Andes, no Chile.

A Corporación América apresentou as respectivas iniciativas privadas do projeto aos dois países e o Chile declarou-o de interesse nacional em agosto de 2008 e a Argentina em setembro do mesmo ano.

 

Os prognósticos

Em termos de comércio, a Bacia do Pacífico é considerada o epicentro do século XXI.

Assim, podemos dizer que da mesma forma que o Mediterrâneo foi o mar do passado em termos de comércio e das grandes navegações, o Atlântico evidenciou-se no século XX como rota comercial e turística. No século XXI a economia globalizada tem no Oceano Pacífico um novo elo dentro do contexto das relações comerciais e econômicas.

A relevância estratégica em termos demográficos, a elevada população absoluta e potencial mercado de consumo e realização de transações comerciais, a localização de economias dinâmicas e potencial desenvolvimento impõem a urgência de a América do Sul contar com uma saída segura e confiável em direção a este Oceano e seus potenciais parceiros da Bacia do Pacífico.

O Corredor Bioceânico Aconcágua representará um cruzamento confiável, eficiente e competitivo da Cordilheira dos Andes, a maximização da capacidade de transporte e competitividade regional afirmam os dirigentes do consórcio internacional, formado por empresas como Navieras S/A (Chile), Mitsubish Corporation (Japão), Geodata (Itália), Contreras Hermanos (Argentina), Companhia de Aceros do Pacífico (Chile), Queiróz galvão (Brasil), San José (Espanha). Mas ainda segue um diálogo com empresas europeias, asiáticas e do continente americano, interessadas em fazer parte do ambicioso empreendimento. O investimento está estimado em três milhões de dólares e a ideia é integrar países da Ásia–Pacífico e do Mercosul.

O novo corredor proposto terá 52 quilômetros de extensão, unirá o Porto de Valparaíso, no litoral chileno, ao porto de Buenos Aires, Argentina; a ideia é aliviar o fluxo terrestre rodoviário, já saturado e dificultado pela neve no inverno e outros problemas devido à altitude do relevo.

O Projeto bioceânico será totalmente multimodal para todo o tipo de cargas, com duas estações nos extremos do sistema, o que permitirá carga e descarga de distintos formatos, incluindo-se caminhões.

A inauguração está prevista para 2020, transformando-se em uma das maiores rotas de comércio mundial e a maior depois das ferrovias Transcontinental Norte Americana e do Canal do Panamá, entre a América Central e Sul.

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